Reurbanização no Parque da Montanha promove transformação social e habitacional em Guarujá

Desenvolvido pela Prefeitura de Guarujá, por meio da Secretaria de Habitação (Sehab), o projeto de reurbanização do Parque da Montanha vem redesenhando a realidade de famílias oriundas das comunidades da Prainha, Marezinha e Aldeia. Iniciada em 2007, a iniciativa ultrapassa a entrega de moradias e se estrutura como uma política contínua de acompanhamento social.

A ação teve origem em parceria com o Governo Federal, a partir da necessidade de desocupação de áreas consideradas irregulares, localizadas em regiões de risco ou vinculadas à faixa ferroviária e portuária. Desde então, a execução ocorre de forma gradual, respeitando parâmetros técnicos e legais.

Atualmente, o Parque da Montanha se configura como o maior empreendimento habitacional em andamento na Baixada Santista. Ao longo do projeto, 1.525 unidades já foram destinadas a famílias cadastradas. Em 2025, 168 núcleos familiares foram transferidos, e a previsão é de que outras 115 mudanças sejam concluídas ao longo do segundo semestre de 2026.

O reassentamento é conduzido por etapas, com organização por setores e acompanhamento permanente das equipes responsáveis. Antes da transferência, é realizada uma revisão detalhada das informações cadastrais, considerando que os registros iniciais remontam a cerca de 20 anos. Nesse intervalo, houve alterações significativas nas áreas ocupadas, como subdivisões de imóveis e ampliação de construções.

Esse cenário exige um processo criterioso de verificação, com análise documental e visitas técnicas, para assegurar que o atendimento alcance, de fato, quem se enquadra nos critérios estabelecidos.

Diagnóstico social e acompanhamento individualizado

Após a identificação das famílias, entra em execução o Projeto Técnico Social (PTS), responsável por estruturar o atendimento. A primeira fase prioriza o contato direto com os moradores, permitindo compreender as particularidades de cada núcleo familiar.

Na sequência, são realizados encaminhamentos voltados à regularização de documentos, atualização em programas sociais e orientações jurídicas, sobretudo em situações que possam interferir no acesso à moradia.

Os critérios para inclusão no programa seguem diretrizes legais e consideram aspectos como tempo de permanência na área e no município, composição familiar e condições específicas, como presença de idosos, pessoas com deficiência ou mulheres responsáveis pelo domicílio.

Capacitação e adaptação ao novo contexto

Com a mudança para os apartamentos, muitas famílias passam a lidar com despesas inexistentes anteriormente. Para apoiar esse processo, o projeto inclui ações de incentivo à geração de renda, com oferta de oficinas e cursos voltados a atividades que possam ser realizadas no ambiente doméstico.

Entre as capacitações já promovidas estão iniciativas nas áreas de alimentação, artesanato e estética, com o objetivo de estimular autonomia financeira.

Outro ponto de atenção é a educação ambiental. As equipes orientam sobre o uso adequado dos recursos, descarte correto de resíduos e cuidados com a estrutura dos imóveis, contribuindo para a adaptação ao novo padrão de moradia.

Pós-ocupação como etapa estratégica

O acompanhamento das famílias não se encerra com a entrega das chaves. O período posterior à mudança é tratado como fase essencial para a consolidação do projeto. Nesse momento, as equipes seguem atuando junto aos moradores, auxiliando na adaptação às rotinas e responsabilidades do novo ambiente.

Questões relacionadas à convivência, organização dos espaços coletivos e cumprimento de normas são abordadas em encontros periódicos. Essas ações contribuem para prevenir conflitos e fortalecer a integração entre os residentes.

Iniciativas comunitárias e ações permanentes

Paralelamente às etapas operacionais, o projeto mantém uma agenda contínua de atividades sociais, incluindo campanhas de saúde, rodas de diálogo e oficinas educativas. A horta comunitária é uma das iniciativas em destaque, promovendo tanto a produção de alimentos quanto a interação entre os moradores.

Além disso, surgem ações organizadas pela própria comunidade, como atividades voltadas a crianças e oficinas conduzidas por moradores, ampliando o engajamento local.

Desafios na transição de realidade

A mudança para o conjunto habitacional traz também desafios. Entre eles, estão a adaptação às regras de uso dos imóveis e áreas comuns, além da necessidade de desenvolver novos hábitos relacionados ao consumo de água e energia.

Há ainda impactos na rotina das famílias, que precisam reorganizar aspectos como trabalho, deslocamento e relações sociais.

Moradora da comunidade da Aldeia, em Vicente de Carvalho, Nelma Lamenha da Cunha aguarda a transferência com expectativa, destacando o acompanhamento recebido ao longo do processo. Já Marli Reis, que reside no Parque da Montanha há sete meses, enfatiza a importância da conquista da moradia como fator de dignidade.

Infraestrutura e consolidação urbana

O projeto é desenvolvido em articulação com diferentes áreas da administração municipal, como saúde, educação e assistência social, com o objetivo de garantir estrutura adequada ao novo território.

Estão previstas a implantação de equipamentos públicos e melhorias urbanas, consolidando o Parque da Montanha como um bairro em formação. A proposta é assegurar não apenas moradia, mas condições efetivas de qualidade de vida.

A Secretaria de Habitação destaca que o trabalho social desempenha papel central nesse processo, ao promover não apenas a mudança física, mas também avanços em cidadania e autonomia. Com novas etapas previstas, o projeto segue em expansão, atendendo gradualmente outras famílias e ampliando seu impacto social.

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