Redes sociais transformam relação dos jovens brasileiros com a política, aponta estudo
Um estudo realizado com brasileiros entre 21 e 34 anos aponta que as redes sociais vêm provocando mudanças profundas na forma como os jovens se relacionam com a política. Entre os principais efeitos identificados estão o isolamento, a personalização do debate político e o aumento da polarização.
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6/30/20262 min read


A pesquisa qualitativa ouviu, em 2022, 24 jovens que vivem em metrópoles de diferentes regiões do país, incluindo capitais e cidades do interior. O grupo representa uma parcela da faixa etária que reúne cerca de 29% do eleitorado brasileiro.
O levantamento indica que essa geração praticamente não conheceu a participação política sem a influência das redes sociais, tornando-se mais suscetível às mudanças provocadas por esse ambiente digital.
Um dos principais fenômenos observados foi a seleção personalizada dos conteúdos políticos consumidos pelos usuários, prática definida no estudo como "curadoria do eu". O conceito descreve a escolha deliberada de conteúdos e perfis com o objetivo de evitar conflitos e preservar o bem-estar emocional.
A pesquisa aponta que esse comportamento está relacionado ao cansaço e à ansiedade provocados pelas dinâmicas das plataformas digitais. Muitos participantes demonstraram reconhecer que vivem em bolhas de informação e afirmaram controlar o tipo de conteúdo que recebem, ao mesmo tempo em que reconhecem a influência dos algoritmos nesse processo.
Segundo a análise, essa filtragem reduz o contato com opiniões divergentes, limita o debate público e favorece a formação de grupos cada vez mais homogêneos, contribuindo para o fortalecimento da polarização política.
O estudo também observa que, nesse cenário, as relações políticas passam a ser mais personalizadas. Em vez de priorizar partidos ou trajetórias políticas, muitos jovens valorizam a comunicação direta proporcionada pelas redes sociais e a forma como candidatos se apresentam nesses ambientes.
A pesquisa identifica as manifestações de 2013 como um marco importante dessa transformação. O período coincidiu com a expansão das redes sociais e com o aumento do acesso dos jovens às plataformas digitais, alterando a maneira como mídia, política e participação pública passaram a se relacionar.
De acordo com o estudo, esse processo foi se intensificando ao longo dos anos e influenciou as eleições seguintes, indicando uma mudança duradoura na forma de fazer política no Brasil, com impactos que podem se estender pelas próximas décadas.