Povos tradicionais criam articulação nacional em defesa da Mata Atlântica
O lançamento ocorreu na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), em celebração ao Dia Nacional da Mata Atlântica. A nova articulação surge com o objetivo de fortalecer a proteção de um dos biomas mais ameaçados do país, além de ampliar a luta por direitos territoriais e reconhecimento das comunidades tradicionais.
O encontro aconteceu na Faculdade de Direito da USP, em referência ao Dia Nacional da Mata Atlântica, e marcou o início oficial da articulação, criada para dar maior visibilidade às comunidades que historicamente atuam na preservação das florestas, rios, mangues e áreas costeiras.
No documento de lançamento, os participantes ressaltaram a relação ancestral construída entre os povos tradicionais e a natureza, destacando que os conhecimentos transmitidos entre gerações têm papel essencial na conservação ambiental.
Integrante da Comissão Guarani Yvyrupa e liderança da Aldeia Rio Bonito, em Ubatuba, Ivanildes Kerexu afirmou que a união entre os diferentes povos busca ampliar a defesa do território e garantir políticas públicas voltadas às comunidades tradicionais. Segundo ela, a resistência desses grupos foi determinante para que partes importantes da Mata Atlântica permanecessem preservadas até hoje.
A liderança indígena também destacou a dimensão espiritual que o bioma possui para o povo Guarani, que reconhece a região como um espaço sagrado ligado à própria identidade cultural e ao modo de viver de suas comunidades.
Durante o evento, a deputada federal Sonia Guajajara destacou que a criação da aliança ocorre em um momento estratégico, diante do avanço de interesses econômicos sobre áreas ambientalmente protegidas. Para ela, as comunidades tradicionais seguem enfrentando dificuldades para que suas demandas sejam compreendidas e respeitadas pelas estruturas políticas e econômicas do país.
Guajajara também chamou atenção para os impactos provocados pela mineração, pelo desmatamento e pela exploração de recursos naturais em territórios tradicionais. Segundo a parlamentar, o crescimento do interesse internacional em minerais estratégicos exige atenção redobrada para evitar novos processos de exploração sem diálogo com os povos afetados.
A nova articulação pretende atuar como uma rede permanente de defesa da Mata Atlântica, bioma que ao longo das últimas décadas perdeu grande parte de sua cobertura original em razão da expansão urbana, especulação imobiliária, grandes empreendimentos, turismo predatório e exploração ambiental.
Mesmo reduzida, a Mata Atlântica ainda concentra milhares de espécies da fauna e da flora brasileiras e segue sendo fundamental para o abastecimento hídrico de milhões de pessoas em diferentes regiões do país.
Coordenador executivo da aliança, Wellington Quilombola afirmou que muitas comunidades já convivem diariamente com os efeitos da degradação ambiental. Ele relatou que o avanço sobre áreas naturais tem provocado mudanças no equilíbrio ecológico e aproximado animais silvestres das áreas urbanas e residenciais.
Segundo os organizadores, além de fortalecer a proteção ambiental, a iniciativa pretende ampliar o diálogo com governos, movimentos sociais e sociedade civil para construir políticas que conciliem preservação, justiça social e valorização dos modos de vida tradicionais.
Imagem: Vinícius Carvalho


Publicidade
Publicidade

