Pesquisa científica identifica em Minas Gerais espécies vegetais não observadas há décadas

Trabalhos de expedição botânica realizados na região do Quadrilátero Ferrífero resultaram na localização de exemplares vegetais raros que não contavam com registros no meio natural há mais de trinta anos. As atividades de busca integram o Projeto de Conservação de Espécies Raras e Endêmicas do Quadrilátero Ferrífero, iniciativa articulada pela Rede Propagar com a participação de instituições de ensino superior, centros de pesquisa e a empresa Vale, responsável pela manutenção das áreas protegidas mapeadas.

Conforme detalhado pela doutora em biologia vegetal Laís Zeferino, pesquisadora vinculada à Universidade Federal de Minas Gerais, os levantamentos de campo contemplaram localidades com histórico de ocorrência dessas variedades, possibilitando a confirmação da presença de espécimes que figuravam como potencialmente extintos devido à ausência prolongada de avistamentos.

Dentre os espécimes localizados destacam-se a Paepalanthus magalhaesii e a Coracoralina amoena, conhecidas popularmente como sempre-vivas ou chuveirinhos. Ambas são exclusivas das formações rochosas e do solo ferruginoso característico daquela localidade mineira, sobressaindo-se pela manutenção do aspecto floral após a secagem.

A engenheira agrônoma Patrícia Favoreto Renci, gestora na Rede Propagar, ressalta que o endemismo dessas variedades associa-se a uma elevada capacidade de adaptação a severas restrições hídricas e térmicas. A preservação dessas estruturas biológicas oferece insumos para estudos em genética, biotecnologia e farmacologia, além de contribuir para a estabilidade ambiental local.

No tocante à distribuição geográfica, a Paepalanthus magalhaesii, caracterizada pelo crescimento rente ao solo, teve exemplares confirmados nas reservas de Capanema, Capivari I, Capivari II e Cata Branca, abrangendo os municípios de Itabirito, Rio Acima e Ouro Preto. Por sua vez, a Coracoralina amoena habita substratos rochosos rasos submetidos a forte radiação solar e escassez periódica de água, constando em publicações acadêmicas anteriores sob risco provável de desaparecimento.

O fluxo de trabalho estabelecido prevê o encaminhamento do material coletado a laboratórios especializados para análise e mapeamento genético. A engenheira ambiental Ana Cristina Amoroso explica que as amostras servirão de base para o desenvolvimento de protocolos de reprodução em cativeiro, visando o repovoamento futuro das áreas de origem e o preenchimento de lacunas do conhecimento científico sobre a flora nativa. O projeto busca mitigar os impactos derivados da ação humana e das variações climáticas sobre a biodiversidade regional.

Imagem: Matheus Zaza

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