Organizações reforçam defesa da demarcação e proteção territorial no Dia dos Povos Indígenas

No Dia dos Povos Indígenas, celebrado em 19 de abril, entidades representativas voltaram a destacar a necessidade de demarcação de terras e fortalecimento de políticas de proteção aos territórios tradicionais. As manifestações ressaltaram que o reconhecimento dessas áreas é essencial para garantir a continuidade cultural, social e ambiental dos povos originários.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) afirmou que a demarcação constitui medida de reparação histórica e reiterou que diversas comunidades ainda enfrentam ameaças em seus territórios. Em posicionamento divulgado nas redes sociais, a organização enfatizou que a garantia territorial é determinante para a preservação das práticas culturais, espirituais e do modo de vida das populações indígenas.

A entidade também destacou a ocorrência de violências e pressões relacionadas a atividades ilegais, como garimpo, exploração madeireira e invasões. Segundo a Apib, a proteção efetiva das terras indígenas é condição indispensável para assegurar direitos, fortalecer a democracia e preservar a soberania territorial.

Responsável pela organização do Acampamento Terra Livre, realizado em Brasília no início de abril, a Apib reuniu representantes de diferentes povos para debater a defesa dos territórios e denunciar violações de direitos. O encontro é considerado a principal mobilização indígena do país.

A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) também se manifestou, defendendo a ampliação das demarcações e a proteção das áreas tradicionais. A organização apontou que a degradação desses territórios impacta diretamente o equilíbrio ambiental da Amazônia, contribuindo para eventos como secas intensas, queimadas e perda de biodiversidade. Ainda segundo a entidade, atividades como garimpo ilegal, desmatamento, grilagem e grandes empreendimentos ampliam a pressão sobre as comunidades.

A Anistia Internacional reforçou a urgência na devolução e demarcação de terras, destacando que a efetivação dos direitos dos povos originários é fundamental para a preservação de saberes e práticas ancestrais. A organização ressaltou que essas populações desempenham papel relevante na conservação ambiental e na construção de alternativas sustentáveis.

De acordo com a entidade, dados da Organização das Nações Unidas indicam que os povos indígenas contribuem para a proteção de cerca de 80% da biodiversidade global, evidenciando a relação entre garantia de direitos e preservação ambiental.

A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) também se posicionou, defendendo a valorização e o reconhecimento dessas populações. A instituição destacou a presença indígena em diferentes espaços de gestão e afirmou que esse protagonismo tem contribuído para avanços na demarcação, na proteção dos territórios e no fortalecimento da autonomia das comunidades.

Imagem: Rafa Neddermeyer

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