Fiscalizações revelam predominância do trabalho análogo à escravidão em áreas urbanas

As ações de combate ao trabalho análogo à escravidão realizadas em 2025 indicaram uma mudança relevante no perfil das ocorrências registradas no país. Dados consolidados pelo Ministério do Trabalho e Emprego mostram que 2.772 pessoas foram retiradas de situações de exploração, com concentração inédita de casos em atividades desenvolvidas nos centros urbanos, responsáveis por mais de dois terços dos resgates.

O balanço reforça que esse tipo de violação não está restrito a um único setor econômico. Embora o meio rural historicamente concentre parte significativa das fiscalizações, o cenário observado no último ano aponta para uma ampliação das práticas ilegais no espaço urbano, evidenciando novas dinâmicas da exploração do trabalho contemporâneo.

Entre as atividades com maior número de ocorrências, a construção civil aparece como o principal foco das operações, abrangendo obras de diferentes portes. Outros segmentos também registraram números expressivos de resgates, como serviços vinculados ao poder público, atividades agrícolas específicas e a extração e beneficiamento de materiais utilizados na construção.

As informações levantadas pelo ministério revelam ainda um perfil social recorrente entre os trabalhadores resgatados. Predominam homens adultos, com baixa escolaridade e inseridos em contextos de fragilidade econômica. A expressiva presença de pessoas que se autodeclaram negras evidencia a persistência de desigualdades estruturais que tornam determinados grupos mais suscetíveis a situações extremas de violação de direitos.

Segundo a área responsável pela fiscalização, esses dados refletem trajetórias marcadas por exclusão social prolongada, que favorecem a reprodução de práticas exploratórias ao longo do tempo. O trabalho análogo à escravidão, nesse contexto, permanece associado a fatores históricos e sociais ainda não plenamente enfrentados.

No recorte territorial, Mato Grosso, Bahia, Minas Gerais e São Paulo concentraram o maior número de trabalhadores resgatados durante as operações realizadas em 2025.

Após as ações de fiscalização, as vítimas tiveram acesso aos mecanismos legais de proteção, incluindo o Seguro-Desemprego do Trabalhador Resgatado, além de encaminhamento para serviços públicos de apoio e assistência. As operações também asseguraram o pagamento de valores referentes aos direitos trabalhistas devidos.

Ao longo do ano, foram realizadas 1.594 ações de enfrentamento ao trabalho análogo à escravidão, que, além dos resgates, resultaram na regularização de direitos trabalhistas de milhares de pessoas. O Ministério do Trabalho destaca que denúncias podem ser feitas de forma anônima por canais oficiais, contribuindo para o fortalecimento das políticas de proteção ao trabalhador.

Imagem: Wellyngton Souza

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