Estudo identifica microplásticos e poluentes químicos em espécies do mar profundo na Bacia de Santos

Pesquisadores brasileiros identificaram a presença de microplásticos e poluentes orgânicos persistentes em sedimentos, peixes e invertebrados coletados em águas profundas da Bacia de Santos, a cerca de 140 quilômetros do litoral. As amostras foram obtidas entre 400 e 1.500 metros de profundidade e revelam que a contaminação causada por atividades humanas já alcança regiões remotas do ambiente marinho.

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6/6/20262 min read

A pesquisa foi desenvolvida por cientistas do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), ampliando o conhecimento sobre a presença desses contaminantes em ecossistemas de grande profundidade no Brasil.

Os pesquisadores analisaram dois grupos de poluentes orgânicos persistentes: as bifenilas policloradas (PCBs), utilizadas como isolantes elétricos, e os éteres difenílicos polibromados (PBDEs), empregados como retardantes de chamas. Nos sedimentos foram encontrados apenas compostos do grupo dos PCBs. Já nos peixes examinados, as duas categorias de substâncias foram detectadas.

Entre as espécies avaliadas estão Parasudis truculenta, Hoplostethus occidentalis, Coelorinchus marinii e Neoscopelus macrolepidotus. As amostras foram coletadas durante expedições realizadas em 2019 pelo navio oceanográfico Alpha Crucis, da USP.

Contaminação também alcança invertebrados

A investigação sobre microplásticos concentrou-se nos invertebrados marinhos. O objetivo foi identificar a presença de fragmentos plásticos com menos de cinco milímetros, frequentemente encontrados em diferentes ambientes aquáticos.

Os resultados indicaram a ocorrência dessas partículas em organismos que vivem no fundo do oceano. Entre as nove espécies analisadas, o pepino-do-mar Deima validum apresentou a maior quantidade de microplásticos em seu sistema digestório.

As análises identificaram fibras classificadas como microplásticos e compostas por materiais utilizados em diferentes setores industriais. Entre eles estão polímeros empregados na fabricação de tecidos e outros materiais plásticos de alta resistência.

Parte dos materiais encontrados pode estar associada a atividades industriais desenvolvidas na própria Bacia de Santos, onde atualmente operam plataformas ligadas ao setor offshore.

Ambiente remoto, mas conectado às atividades humanas

Para evitar interferências nos resultados, a equipe adotou protocolos específicos para impedir a contaminação das amostras durante as análises. O controle incluiu a utilização de equipamentos adequados e o monitoramento constante das superfícies e do ar nos ambientes de pesquisa.

Os autores destacam que o levantamento representa uma etapa inicial de investigação e que novos estudos serão necessários para compreender a origem desses contaminantes e seus efeitos sobre os organismos marinhos.

Pesquisas anteriores conduzidas pelos mesmos grupos já haviam identificado a presença de microplásticos em animais coletados na Antártica. Entre os registros encontrados estava uma fibra plástica detectada em um pequeno crustáceo recolhido em 1986, considerada uma das evidências mais antigas desse tipo de contaminação na região.

Os resultados reforçam a necessidade de ampliar o monitoramento científico dos oceanos profundos, ambientes de difícil acesso, mas que já demonstram sinais dos impactos provocados pela poluição associada às atividades humanas.

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