Campanha busca valorizar cultura negra e combater racismo no carnaval

O Ministério da Igualdade Racial colocou em circulação uma nova ação nacional voltada ao período carnavalesco, com foco na valorização da cultura negra e no enfrentamento ao racismo durante as festas. A campanha foi apresentada no Rio de Janeiro e propõe ampliar o debate sobre respeito, diversidade e reconhecimento histórico no maior evento popular do país.

Sob o lema “Sem racismo o carnaval brilha mais”, a iniciativa aposta em materiais educativos distribuídos ao público para reforçar que ofensas motivadas pela cor da pele configuram crime de injúria racial. A proposta também chama atenção para o uso de fantasias e representações que reproduzem estereótipos ou ridicularizam pessoas negras, povos indígenas e tradições de matriz africana, práticas que seguem sendo registradas em meio à folia.

Para o secretário de Combate ao Racismo do ministério, Tiago Santana, o objetivo vai além de coibir agressões diretas. A campanha busca desconstruir a naturalização de atitudes que transformam elementos da estética negra, como traços físicos e expressões culturais, em motivo de deboche. Segundo ele, o carnaval precisa refletir valores que dialoguem com a diversidade da sociedade brasileira.

Em 2026, a ação ganha maior alcance e deixa o ambiente exclusivamente digital para ocupar ruas, blocos, bailes e desfiles das escolas de samba. A programação inclui presença na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, além de atividades previstas na Bahia e em municípios que integram o Programa Juventude Negra Viva.

A distribuição do material informativo começa no sábado (17) e segue até o encerramento do carnaval. Além do caráter educativo, a campanha orienta o público sobre os canais oficiais de denúncia, como o Disque 100 e a Ouvidoria do Ministério da Igualdade Racial, que oferecem acolhimento e encaminhamento para a formalização de ocorrências em instâncias competentes.

Segundo Santana, estimular a denúncia é parte essencial da política pública de igualdade racial. Ele destaca que prevenir práticas discriminatórias e garantir responsabilização quando elas acontecem são pilares para o enfrentamento efetivo do racismo estrutural no país.

No Rio de Janeiro, a iniciativa conta com a colaboração da Liga RJ, responsável pela organização dos desfiles da Série Ouro. A parceria prevê a circulação dos materiais em ensaios técnicos e apresentações oficiais. Na abertura da competição, em fevereiro, representantes do ministério participarão das atividades com ações de conscientização ao lado de lideranças e integrantes das escolas de samba.

A campanha também pretende reafirmar o papel central da população negra na construção histórica do carnaval. De acordo com o secretário, discutir racismo no contexto da festa é também enfrentar processos de apagamento e exclusão que ainda marcam o evento, inclusive em espaços de avaliação e reconhecimento.

Em nota oficial, a ministra Anielle Franco ressaltou que o carnaval deve ser um espaço de celebração aliado ao respeito. Para ela, a iniciativa reconhece o trabalho das mãos negras que sustentam a festa e reafirma o carnaval como expressão cultural, artística e de resistência. A expectativa do ministério é que outras instituições se somem à campanha, ampliando sua presença em eventos, veículos de comunicação e redes sociais.

Imagem: Rafael Caetano

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