Aumento na violência contra populações originárias marca balanço nacional em 2025

Levantamento do Conselho Indigenista Missionário indica escalada em homicídios, impasses territoriais e carência de serviços básicos de saúde.

A degradação das condições de segurança e a intensificação de disputas por áreas delimitadas resultaram na morte de 258 indivíduos originários no decorrer de 2025. O patamar supera os 211 episódios computados no ciclo anterior, sobressaindo-se as estatísticas observadas nos estados de Roraima (82), Amazonas (47) e Mato Grosso do Sul (37).

O panorama detalhado pelo Relatório Violência contra os Povos Indígenas no Brasil mapeia a sobreposição de invasões patrimoniais e hostilidades físicas, diretamente associadas às pendências administrativas de regularização fundiária. Diversos atentados foram catalogados em territórios cujos trâmites oficiais se estendem sem desfecho definitivo há mais de uma década. O estudo relaciona a atmosfera de tensão às incertezas jurídicas vigentes em relação ao enquadramento da Lei 14.701/2023, somadas à pressão exercida por setores extrativistas e de infraestrutura.

No âmbito do patrimônio, somaram-se 1.276 ocorrências, com destaque para a estagnação no processo regulatório de 897 áreas das 1.443 demandas territoriais mapeadas no país. Embora instâncias governamentais tenham avançado na homologação, delimitação e instituição de novas reservas, a avaliação técnica conclui que a velocidade do atendimento permanece aquém das urgências humanitárias e de proteção local.

Os indicadores sociais revelam igualmente um quadro grave de desassistência estatal. O número de atos contra a própria vida atingiu 215 casos, concentrados em faixas etárias jovens. Paralelamente, o óbito na primeira infância totalizou 1.024 crianças de até quatro anos de idade, com predomínio de quadros passíveis de prevenção, a exemplo de infecções pulmonares, transtornos intestinais e desnutrição. A contaminação hídrica por insumos agrícolas ou garimpo, somada à escassez de suprimentos básicos e equipes médicas, agrava a vulnerabilidade sanitária das comunidades. Por fim, a publicação alerta para a exposição extrema vivenciada por comunidades em isolamento voluntário desprovidas de salvaguardas institucionais.

Imagem: Marcelo Camargo

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