Após a COP17, o país enfrenta pressões para concretizar suas promessas de recuperação ambiental
Analistas ressaltam a importância de integrar as populações diretamente atingidas pelo processo.
O propósito estabelecido pelas autoridades nacionais de reabilitar 163 mil quilômetros quadrados de terrenos empobrecidos até o fim desta década recebeu elogios da Organização das Nações Unidas e de entidades civis. A declaração, contudo, é acompanhada de cobranças intensas para que saia do campo das ideias e resolva as adversidades vividas em solo nacional.
A analista em cadeias produtivas alimentares do WWF-Brasil, Luiza Soares, considerou a proposta brasileira arrojada, salientando que ela necessita se traduzir em avanços perceptíveis. Segundo sua avaliação, concretizar essas diretrizes exige um planejamento integrado do uso do solo, o que envolve alinhar a proteção e a regeneração dos ecossistemas, o resgate da capacidade produtiva de campos esgotados, a gestão consciente da terra e a reformulação dos modelos agrícolas. Ela pontua ainda que as comunidades locais e dependentes dessas áreas precisam participar ativamente, sobretudo nos territórios em que o desgaste do solo interfere de modo direto no acesso à água e alimento, no sustento familiar e no equilíbrio ambiental.
O dirigente da Rede para Restauração da Caatinga (ReCaa), Pedro Sena, observou que os cidadãos devem acompanhar e cobrar a promessa formalizada durante o 17º encontro promovido pela ONU sobre Desertificação (COP17), ocorrido na capital mongol, Ulaanbaatar, nas semanas anteriores. De acordo com ele, a atenção de todos precisa se voltar ao acompanhamento constante, permitindo verificar a evolução anual dos compromissos voltados à preservação da terra.
O técnico do Instituto Escolhas, Rafael Giovanelli, ponderou que o anúncio ocorreu com um atraso de 11 anos, exigindo agora agilidade na condução das tarefas. Ele aponta que o país deve reestruturar suas bases operacionais e financeiras para executar a proposta. Para atingir tal fim, a organização sugere a regulamentação do recente dispositivo legal de recuperação vegetal da Caatinga e a criação de um órgão específico para essa finalidade junto ao Poder Executivo nacional, dotado de orçamento e corpo funcional próprios para a demanda.
O compromisso em marcas numéricas
O plano de revitalização apresentado insere-se nos parâmetros da Neutralidade da Degradação da Terra (LDN), uma pactuação facultativa assumida por mais de uma centena de nações integrantes do acordo global sobre o tema.
Para alcançar a metragem de 163 mil km², estão previstos projetos de recomposição da flora nativa, fomento a cultivos agroflorestais e ações focadas em reservas ambientais, terras originárias, faixas de proteção permanente e bacias hidrográficas.
Visando alcançar as diretrizes do pacto, as nações necessitam expandir ou conservar o montante de áreas férteis e funcionais em seus domínios.
O Brasil adota o ano de 2020 como ponto de comparação, período no qual registrava 55,7 milhões de hectares em declínio estrutural. Para atingir a estabilidade almejada, o país precisa chegar ao fim da década sem ultrapassar esse patamar.
Estão previstas também estratégias de contenção, preservação e manejo consciente em outros 3,51 milhões de km². Dessa forma, o total consolidado das metas LDN atinge 3,67 milhões de km², cobrindo tanto as zonas de regeneração quanto as de conservação.
Evidência para o bioma da Caatinga
A união dos estados nordestinos marcou presença no evento internacional para exibir alternativas de recuperação do ecossistema local e captar recursos para a zona semiárida. O bloco firmou um termo de colaboração com o organismo internacional para elevar o destaque da região.
A partir desse acerto, almeja-se intensificar a troca de conhecimentos técnicos, a adoção de metodologias e a inserção do Nordeste em alianças globais focadas em áreas secas.
O representante do agrupamento de governos, Carlos Gabas, encara a parceria como um marco relevante para impulsionar a relevância regional. Ele demonstrou otimismo de que o acordo abrirá pontes para viabilizar os projetos de transição ecológica do Nordeste, somando forças no cenário global para conter o avanço do desgaste do solo e as emissões poluentes.
A dirigente associada da entidade internacional, Andrea Meza, destacou o protagonismo que o país vem assumindo na formulação de saídas sustentáveis. Ela frisou que o território nordestino é peça-chave para estruturar redes de combate ao empobrecimento da terra e fortalecimento da capacidade de resposta climática, expressando satisfação com a união estabelecida.
*O profissional viajou ao destino a convite da organização do evento, após passar por um processo seletivo entre comunicadores globais.
Imagem: REUTERS/Amanda Perobelli/Direitos Reservados


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