Aplicativo com apoio de drones reforça combate ao lixo plástico no litoral da Irlanda
Uma iniciativa desenvolvida na Irlanda vem ampliando as estratégias de enfrentamento à poluição por resíduos plásticos nas áreas costeiras. Trata-se de um aplicativo que utiliza imagens captadas por drones para identificar e mapear pontos de acúmulo de lixo, facilitando a atuação de voluntários e ações de limpeza ambiental. A solução foi apresentada em reportagem publicada pelo jornal australiano The Conversation.
O projeto é liderado por Gerard Dooly, professor e pesquisador de engenharia da Universidade de Limerick, e surgiu a partir da observação do impacto contínuo do descarte inadequado de resíduos no litoral irlandês. Em regiões como Tramore, no Condado de Waterford, o acúmulo de plásticos ao longo dos anos passou a integrar a paisagem costeira, dificultando a preservação do ecossistema marinho.
Embora grupos comunitários atuem regularmente na limpeza dessas áreas, a falta de informações precisas sobre os locais mais afetados limita a eficiência das ações. Diante desse cenário, o pesquisador desenvolveu um sistema capaz de integrar drones a um aplicativo móvel, permitindo a identificação remota de resíduos plásticos e o compartilhamento dessas informações com pessoas dispostas a colaborar com a remoção.
No Centro de Robótica e Sistemas Inteligentes da Universidade de Limerick, a equipe responsável pelo projeto empregou técnicas de inteligência artificial para criar um algoritmo de reconhecimento de resíduos. Esse sistema foi integrado a softwares de drones de monitoramento, possibilitando o mapeamento detalhado de áreas contaminadas. As imagens processadas são enviadas a um aplicativo gratuito, que disponibiliza aos usuários a localização dos pontos críticos por meio de coordenadas de GPS.
Um dos principais desafios do desenvolvimento esteve relacionado ao treinamento da visão computacional dos drones. O sistema precisou ser ajustado para identificar fragmentos plásticos de pequenas dimensões a partir de alturas elevadas, além de diferenciá-los de elementos naturais como algas, rochas, conchas e madeira. Para alcançar esse nível de precisão, foram realizados extensos testes de campo e sucessivas etapas de aprimoramento do algoritmo.
Nas fases iniciais, o software apresentou limitações em ambientes com sombras e chegou a confundir materiais naturais com resíduos plásticos. Com o refinamento contínuo, o sistema passou a reconhecer fragmentos de plástico a partir de um centímetro, ampliando significativamente sua eficácia. Após essa etapa, centenas de voos foram realizados ao longo da costa irlandesa, em diferentes condições de luz e clima, para validar o desempenho da tecnologia.
A plataforma aceita imagens provenientes de drones de diversas origens, inclusive de equipamentos operados por usuários comuns. O processamento pode ser feito em computadores convencionais, e o aplicativo, disponível para sistemas iOS e Android, apresenta os locais identificados em um mapa interativo, facilitando a organização das ações de limpeza.
A pesquisa conta com financiamento da União Europeia e integra o projeto BluePoint, voltado ao enfrentamento da poluição plástica nas zonas costeiras do continente. Como parte da iniciativa, dezenas de drones parceiros foram distribuídos na Irlanda e em outros países europeus, reforçando o monitoramento ambiental e o combate aos resíduos plásticos no litoral.


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