Ancestralidade, devoção e identidade cultural dão o tom à 20ª Festa de Iemanjá em Guarujá

Guarujá foi palco, neste domingo (1º), da 20ª edição da Festa de Iemanjá, celebração que reafirma a força da fé, da ancestralidade e das tradições de matriz africana no Município. Ao longo da programação, cerca de 10 mil pessoas participaram do evento, que contou com a presença de 18 ilês e reuniu moradores, comunidades de terreiros, visitantes e fiéis em um ambiente de respeito, espiritualidade e expressão cultural.

A celebração foi marcada por rituais, cânticos, toques de atabaque e manifestações simbólicas que traduzem a devoção à Rainha do Mar. As oferendas levadas pelos participantes representaram gestos de agradecimento, esperança e renovação da fé, compondo um cenário de forte conexão entre tradição, memória e religiosidade.

Organizada pela Prefeitura de Guarujá, por meio da Secretaria de Cultura (Secult), a Festa de Iemanjá reafirmou o compromisso do Município com a valorização da cultura afro-brasileira e com o fortalecimento das casas de axé locais. Mais do que um evento religioso, a iniciativa se consolida como um espaço de reconhecimento histórico e cultural, preservando práticas transmitidas entre gerações e ampliando o diálogo com a sociedade.

O secretário municipal de Cultura, Marcelo Wallez, destacou a relevância da celebração para a história e para a identidade do povo de santo de Guarujá. Segundo ele, a festa representa um momento de visibilidade, acolhimento e valorização de uma parcela expressiva da população, além de simbolizar o compromisso da gestão pública com a promoção da diversidade cultural e religiosa.

Wallez também ressaltou que preservar tradições é manter viva a memória coletiva da Cidade, especialmente ao promover ações que aproximam as novas gerações de suas raízes culturais. Nesse sentido, a exposição dedicada a Mãe Catita foi apontada como um exemplo de valorização da oralidade, da história e do legado do povo de axé no Município.

Homenagem a Mãe Catita resgata
trajetória e legado do povo de terreiro

Durante a concentração que antecedeu a procissão, no saguão do Teatro Procópio Ferreira, o público pôde conhecer a exposição em homenagem a Mãe Catita, uma das figuras mais representativas do povo de terreiro de Guarujá e personagem fundamental na construção da Festa de Iemanjá na Cidade. A mostra apresentou registros e memórias que evidenciam sua contribuição para a espiritualidade, o acolhimento comunitário e a preservação das tradições religiosas.

A homenagem emocionou familiares, integrantes de casas de axé e visitantes, ao resgatar a história de uma liderança espiritual cuja atuação ultrapassou os limites do terreiro, alcançando a vida cultural e social do Município. Filha de Mãe Catita e herdeira do Barracão Sete Pedras Brancas, Dona Iracema Leite Santana ressaltou o significado do reconhecimento público e a importância de manter viva a memória de quem dedicou a vida ao cuidado com o outro e à fé.

Mayra Leite Santana, neta de Mãe Catita e segunda herdeira do barracão, destacou que a exposição e a celebração representam um momento de lembrança e gratidão não apenas para a família, mas para toda a comunidade de axé. Segundo ela, o legado deixado por sua avó permanece presente por meio da continuidade da casa, da prática da caridade e da manutenção dos ensinamentos transmitidos ao longo de décadas.

A trajetória de Mãe Catita em Guarujá teve início ainda na primeira metade do século passado e culminou com a fundação do barracão, que se tornou referência de acolhimento espiritual e formação religiosa. Seu legado segue vivo na fé, na memória coletiva e na identidade cultural da Cidade, reforçando a importância do respeito à ancestralidade e às tradições como pilares das religiões de matriz africana.

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